Anorgasmia feminina é a dificuldade persistente de chegar ao orgasmo, mesmo com desejo, excitação e estímulo. Algumas mulheres nunca tiveram um orgasmo. Outras tinham e deixaram de ter. Outras chegam ao orgasmo sozinhas, mas não com a parceria. Todas essas situações têm nome, têm explicação e podem ser cuidadas.
Neste texto, explico o que é a anorgasmia, os tipos, o que costuma estar por trás dela e por que ela diz menos sobre o seu corpo do que parece.
O orgasmo não acontece e isso tem pesado na sua vida sexual?
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O que é anorgasmia feminina?
Uma pesquisa com 52.588 adultos nos Estados Unidos mostrou que 95% dos homens heterossexuais costumam ter orgasmo nas relações, contra 65% das mulheres heterossexuais e 86% das mulheres lésbicas (Frederick e colegas, Archives of Sexual Behavior, 2018). A anorgasmia feminina acontece dentro desse cenário, em que o orgasmo da mulher ainda é pouco priorizado.
Repare na diferença entre mulheres heterossexuais e lésbicas. Ela sugere que, muitas vezes, o problema não está no corpo da mulher, mas no jeito como o sexo acontece: quanto tempo dura, que tipo de estímulo existe e o quanto o prazer dela entra na conversa.
Isso não quer dizer que toda dificuldade seja “falta de técnica”. Quer dizer que olhar só para o corpo, sem olhar para a relação e para as crenças, costuma deixar a explicação pela metade.
Quais são os tipos de anorgasmia?

- Primária: a mulher nunca teve um orgasmo, em nenhuma situação.
- Secundária: ela tinha orgasmos e deixou de ter, por exemplo depois de uma mudança de vida, de um medicamento ou de uma fase difícil.
- Situacional: o orgasmo acontece em algumas situações e não em outras, como na masturbação, mas não na relação a dois.
- Generalizada: a dificuldade aparece em qualquer situação.
Muitas mulheres com anorgasmia situacional acreditam ter um problema quando, na verdade, o estímulo que funciona para elas simplesmente não está presente na relação. Conversar sobre isso com a parceria é, muitas vezes, parte do caminho.
O que causa a anorgasmia feminina?
As causas costumam se misturar. Do lado do corpo, entram alterações hormonais, algumas doenças e o efeito de certos medicamentos, entre eles alguns antidepressivos. Nesses casos, a conversa com o médico é essencial, e nenhum remédio deve ser interrompido por conta própria.
Do lado emocional e relacional, aparecem com frequência:
- ansiedade e dificuldade de “se desligar” durante a relação;
- culpa e crenças aprendidas sobre o prazer feminino;
- pouco conhecimento do próprio corpo;
- pressão para chegar ao orgasmo, que acaba afastando o orgasmo;
- conflitos, mágoas ou pouca intimidade na relação.
Na Gestalt-terapia, olhamos para a experiência no presente: o que você sente, o que evita e como se relaciona com o próprio corpo durante o sexo. Muitas vezes, o orgasmo não acontece porque a atenção está em qualquer lugar, menos nas sensações.
Como a terapia sexual pode ajudar?
A terapia sexual vai além da conversa: olhamos para crenças e dificuldades, usamos técnicas nas sessões e combinamos exercícios para fazer em casa, sozinha ou com a parceria. Não há exame físico nem contato físico.
Os exercícios costumam envolver autoconhecimento do corpo, atenção às sensações e formas de conversar sobre prazer com a parceria. Quando há suspeita de causa física, a avaliação com ginecologista acontece em paralelo.
O objetivo não é “produzir” um orgasmo sob pressão. É criar condições para que o prazer tenha espaço, sem cobrança.
Perguntas frequentes
Anorgasmia é o mesmo que frigidez?
Não. “Frigidez” é um termo antigo e carregado de julgamento, que não é mais usado pelos profissionais. A anorgasmia fala da dificuldade de chegar ao orgasmo, e a mulher pode ter desejo e excitação normalmente. Os dados de Frederick mostram que essa dificuldade é comum e merece cuidado, não rótulo.
É normal só ter orgasmo sozinha?
É bastante comum. Muitas mulheres chegam ao orgasmo na masturbação e não na relação, muitas vezes porque o estímulo é diferente. A pesquisa de Frederick encontrou orgasmo frequente em 65% das mulheres heterossexuais. Conversar com a parceria e conhecer o próprio corpo ajudam bastante.
A anorgasmia pode afetar o desejo?
Pode. Quando o sexo vira uma cobrança sem prazer, o desejo tende a diminuir. Entenda como desejo e prazer se ligam em o que é libido e em o que é disfunção sexual.
Anorgasmia feminina: quando procurar ajuda?
Quando a anorgasmia feminina passa a gerar frustração, culpa ou afastamento, vale procurar ajuda. Os dados mostram uma diferença grande entre homens e mulheres na frequência do orgasmo, 95% contra 65% nas relações heterossexuais. Isso ajuda a lembrar que a dificuldade, muitas vezes, é da forma como o sexo acontece, e não de quem você é.
Sou psicólogo e terapeuta sexual (sexólogo), CRP 05/56711, com pós-graduação em Terapia Sexual pela Unisal. Acompanho mulheres e casais, heterossexuais e LGBTQIA+, com sigilo e sem julgamento.
Se o orgasmo virou uma cobrança, posso ajudar a olhar para isso com calma. Atendo na Tijuca, em Botafogo e online, individualmente ou em casal.
Aluizio Andrade · Psicólogo · CRP 05/56711