Muitos casais chegam à terapia — individual ou de casal — com a mesma queixa: a falta de desejo sexual.
Antes de qualquer conclusão, gosto de entender o que isso significa naquele momento de vida a dois. Como está a qualidade do relacionamento? O que essa falta de desejo está dizendo sobre o casal?
Para muitos, a lógica é direta: acabou o desejo, acabou o amor. Logo, a separação seria a resposta.
Mas aí vem a contradição: “Nós nos amamos”, eles dizem. Então como a lógica manda separar, mas o amor ainda está lá?
Amor e sexo são coisas distintas
Mesmo que você só faça sexo com quem ama, amor e desejo sexual são fenômenos diferentes. E entender isso muda tudo.
Há ainda duas reflexões importantes sobre o desejo que quero trazer aqui.
Nossos desejos mudam — e isso é humano
Pense nos seus gostos ao longo da vida. Aquela bebida duvidosa do carnaval, as escolhas alimentares da adolescência, o tipo de roupa que você usava. Hoje, talvez você prefira um café sem açúcar ao que bebia antes. Seus gostos mudaram — e você não entrou em crise por isso.
Com o desejo sexual não é diferente. Ele varia conforme fases da vida, contextos emocionais, saúde, estresse. Isso é humano, não é fracasso.
Os dois tipos de desejo sexual
Aqui está o ponto que mais muda a conversa na terapia: o desejo sexual tem duas naturezas.
O desejo espontâneo surge naturalmente, sem aviso, como a fome. Ele simplesmente aparece.
O desejo responsivo precisa de condições. Ele não surge do nada — surge quando a intimidade é construída. Lembra de quando namorava? A melhor roupa, o perfume favorito, a antecipação do encontro, a imaginação do que viria. Todo esse contexto criava predisposição para a experiência sexual.
No início de uma relação — e também na adolescência — o desejo espontâneo aparece com mais frequência. Mas ele nunca foi a única forma de desejo existir na vida de um casal.
Desejo não surge do nada — precisa de contexto
É mais difícil sentir desejo com a rotina desgastada, sem cuidado com a aparência, sem preparar o ambiente. Não é superficialidade — é reconhecer que a intimidade precisa ser cultivada.
E isso inclui também o contexto emocional. Um relacionamento marcado por brigas constantes, mágoas não resolvidas e distância afetiva dificilmente vai abrigar o desejo sexual. O corpo responde ao que a relação vive.
Criar condições para o desejo é parte do trabalho — e é algo que a terapia pode ajudar a construir.
Se você se identificou com essa queixa, posso te ajudar.
Entre em contato pelo WhatsApp e conversamos sobre como a terapia pode ajudar você ou o casal a reconectar o desejo.